terça-feira, 26 de maio de 2009

Chegando à planície amazônica

Dia 16 de maio, sábado

Margem do rio Tambo (Amazonas) com árvores frondosas

Cascata nos paredões do rio Tambo

Rapazes em jangada

Saímos de barco de Puerto Chata, às 12:30h, iniciando nossa descida por este trecho do rio Amazonas, que agora é chamado de rio Tambo. Nosso destino é a cidade de Atalaya, já na planície amazônica peruana.

À medida em que descemos o Tambo, noto que a floresta vai ficando cada vez mais densa, com árvores mais altas e frondosas – uma paisagem completamente diferente das regiões montanhosas e pedregosas que ficaram para trás. Isso aqui já tem cara de Amazônia.

É incrível essa geografia das margens do rio, com paredões dos dois lados, de onde brotam lindas cascatas.

A chegada a Atalaya foi no final da tarde. Aqui o rio Amazonas já se chama Alto Ucayali.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Descendo as montanhas até o rio Ene

Dia 15 de maio, sexta-feira

barco tradicional da região


Acordei mais nervoso, porque na estrada que vamos descer, entre São Francisco e Puerto Cocos, fica a cidade de Pichari, onde houve o atentado à Ministra do Interior, que terminou com a morte de um terrorista. Além de ser região do Sendero Luminoso, Pichari tem graves problemas de tráfico de drogas.

Embarcamos às 8:30h para Puerto Cocos, onde existe a conexão e comercialização entre os produtos da floresta e das montanhas. No nosso barco tinha cachos de banana, peru, galinha, papagaio, porco, bujão de gás e gasolina. A segurança com esses últimos produtos é zero!

Na descida desse trecho do Amazonas, que se chama Rio Ene, o trabalho do proeiro é muito importante, porque o rio é cheio de bancos de areia e o piloto tem que ter cuidado para não bater, porque como a correnteza é muito forte o barco vira. No trajeto, o barco vai parando em pequenas comunidades, passa pelo Cânion do Diabo (que não é um grande destaque) e chega a Puerto Prado, ainda no rio Ene. Para chegar a Puerto Chata, tivemos que entrar pela boca do rio Perenê, que tem uma corredeira muito perigosa – um segundo motor tem que se acionado e o barco vai contra a corrente, que joga um pouco de água pelas duas bordas. A minha preocupação é o equipamento de gravação.

Pernoite em Puerto Chata. Altitude 330m de altitude.

Puerto Cocos

balsa no Puerto Chata

Descendo as montanhas até o rio Ene

Dia 14 de maio, quinta-feira

Depois de Ayacucho, uma das regiões mais pobres do país, descemos de carro para São Francisco pela estrada de terra e pedras. De dentro do carro, ouvimos um grito de um soldado do posto do Exército que alertava para que eu desligasse e escondesse a câmera.

Essa é a Zona Vermelha, de emergência, onde o Exército está pronto para qualquer confronto com os grupos do Sendero Luminoso. Até chegar a São Francisco são 8 horas de viagem. Percorremos esta região com muita tensão, evitando a abordagem dos terroristas, sem sequer poder parar para fazer xixi. Levamos umas vasilhas plásticas para emergências.

Pernoite em São Francisco. Altitude 626m.


Milícia dos comerciantes para segurança do Porto

Ponte do rio Ene (Amazonas), em São Francisco

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Região do Sendero Luminoso

Dia 13 de maio, quarta-feira

Pausa na descida do Apurimac

De Abancay, seguimos para Ayacucho, cidade onde os peruanos expulsaram os espanhóis e promoveram a independência do país. O Apurimac passa a leste dessa região de escarpas íngremes, serpenteando entre as montanhas.

Corredeiras do Apurimac

Me preparo para descer esta, que é a parte mais perigosa da viagem. Uma zona em estado de emergência nacional, por causa do grupo armado Sendero Luminoso, que pratica atos terroristas na região chamada VRAE. Quinze dias antes de meu embarque para o Peru, cerca de 15 soldados peruanos foram mortos na região. Há quatro dias, a comitiva da Ministra do Interior foi atacada, mas o apoio do exercito frustrou o ataque. Não houve mortos. Porém, há dois dias, o grupo atacou exatamente a estrada em que vou passar amanhã, dia 14, ligando Ayacucho (ou Huamanga) a São Francisco. Atacou e roubou diversas vans, carros e uma equipe de televisão do Peru. O exército foi chamado por celular e interveio. Os carros ficaram no meio do fogo cruzado... as pessoas, apavoradas e um terrorista foi morto. A segurança foi reforçada depois desses ataques. Vou aproveitar essa janela de segurança para tentar passar. Sairei com o guia, amanhã, às 5 da manhã, para não atravessar a estrada à noite.


Cidade de Ayacucho

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Rafting nas corredeiras Apurimac-Amazonas

Dia 12 de maio, terça-feira

De Cuzco descemos de carro em direção a Abancay e encontramos o rio Apurimac, nesse bordo leste da cordilheira dos Andes, cheio de corredeiras ou rápidos. O rio aqui é bem mais caudaloso. A partir desse ponto, iniciamos o rafting, descendo as corredeiras, até chegar à ponte Cunyac.

Desde sua nascente até a altura da ponte Cunyac, o rio Apurimac despenca 3500 metros. Dessa região da ponte fomos de carro para a cidade de Abancay.

Rio Apurimac

Rafting no rio Apurimac


Chegada à ponte Cunyac

A Cultura dos incas e Cuzco

Dias 10 e 11 de maio, domingo e segunda

Menina com traje típico

Hoje, acordei mais tarde. Fiz gravações na cidade de Cuzco e aproveitei as facilidade de Internet para enviar fotos. Remessa das imagens dessa primeira etapa da expedição. Cuzco é impressionante. Desde o início de nossa expedição, o traço dos incas predomina nos rostos, na fala, nas construções.

Aqui nessa região entre Abancay e Cuzco, o rio Apurimac (Amazonas) vai ganhando ainda mais volume e esculpindo escarpas nas montanhas. Da região da nascente até Atalaya, na selva peruana, ele despenca 5 mil metros, encaixado dentro de profundos cânions.


Menina com llama

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Os Três Canions do Apurimac

Dia 09 maio, sábado


Três Cânions do Apurimac

Hoje, dia 9, saímos de Cailloma para a região dos Três Cânions do Apurimac. Lugar muito bonito, onde o rio cavou seu caminho durante milhões de anos, esculpindo esses paredões tão adornados. Passamos pelo sítio arqueológico da cidade inca de Malcalliaq, com ruínas de armazéns de cereais, em forma cilíndrica.

Umas três horas rio abaixo, chegamos à cidade de Espinar. Decidimos ir até Cuzco, a quatro horas dali, para passar a noite com mais estrutura e acesso à Internet – tenho que atualizar sempre este blog.


Carro atravessando o rio Hornillos